segunda-feira, 13 de outubro de 2014

NUNCA VI UM POETA FELIZ














NUNCA VI UM POETA FELIZ 
Por Elvis Rossi da Silva 


Nunca vi um poeta feliz.
Às vezes penso que um poeta
Está fadado a ter sempre no rosto partido
Uma lágrima rolando na escuridão.

Ter os olhos cabisbaixos,
Ter suspiros amontoados,
Vez ou outra olhar para cima, 
E voltar a chutar pedrinhas pelo chão.

Nunca vi poeta compor ode à alegria
Sempre um réquiem, missa de sétimo dia,
Ainda que pinte o Arco-Íris, céu estrelado, 
Lá estará a bendita rolando pelo cinzel.

Há sempre motivo para sorrir,
E cem outros para chorar.
O sol lhe revelando as cores do dia,
Mas a lua lhe dando a inspiração.

Seu amor é sempre impossível,
Como um Orfeu acabrunhado e sua lira,
Mas se porventura é correspondido,
Nunca o é por completo.

Que poeta já se ouviu
Que saiu por aí, por muito tempo
Pelo menos e não recaiu em tristeza,
Cantarolando como rouxinol azul?

Nunca vi um poeta feliz.
Às vezes penso que um poeta
Está fadado a ter sempre no rosto partido
Uma lágrima rolando na escuridão.

Sempre em busca de sua musa
A deia d’alma, prometida.
E a busca tão longe na vida,
E a jornada é sempre em vão.

Não consegue sobreviver entregue
A um sorvente amor sublime, 
Mas ao mesmo tempo, coitado, 
Sem ele viver não se permite. 

Ah! Fatídica ventura.
Se ama morre, mas se não ama,
Morre também! Quem, de ti,
Misero poeta, te libertará?

Chutas pedrinhas, suspiras,
Choras, Amas, vives e pereces,
E sempre estarás caminhando pela vida,
E sempre estarás com teu cinzel molhado...

Nunca vi poeta feliz...
Vezes penso que o poeta
Fadado está, ua lágrima
Ter na face vertida, 
Ainda que escondida
Em meio à luz do dia
Ou envolta pela triste escuridão...


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