quarta-feira, 22 de outubro de 2014

É QUANDO OS OLHOS PEDEM MAIS OLHARES



É QUANDO OS OLHOS PEDEM MAIS OLHARES









É quando os olhos pedem mais olhares
E pedem mais sorrisos, e pedem mais
Lábios para olharem, e mais olhos
Para fitarem, e mais lábios para calarem,
E mais os olhos para secarem, e mais as bocas
Para molharem, e quando as gargantas
Secam e as palavras moucas se fazem, e a respiração
Muda, e os olhos se desviam entre os pares
E novamente se voltam os entreolhares
E aos lábios, e novamente à fuga recorrem 
E as mãos se tornam inquietas
E trêmulas se fazem arredias
E os olhos no espaço vazio um termo procuram
Para o coração, e os olhares novamente
Esguios e fugidios se voltam sem perceber,
E os lábios apegadiços já não sabem
O que dizer, a palavra já não importa
Importa é o sino-peito, o ofegar
A palpitação, o suor entre os dedos,
A inquietude das mãos, o arfar
E tudo, o tempo, num instante
Para e parece que já se vão
Horas, e quanto mais se espera
O tempo, mais se quer esperar
E sabe que a angústia que aflora 
Não é angústia que devora, que fere
Mortal, mas que arde sem doer
Por dentro, que quer fundir
Prender o casal, e quanto mais secam
As gargantas e mais se entrelaçam
Os olhares, mais os suspiros se apressam,
E como mares bravios que emergem 
E revolvem dentro como ondas
Rebentando nos rochedos dos desejos,
Indômitas, dos olhares em folguedos,
Já nem se dispersam mais,
E se voltam
E se acalmam
E se tocam


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