quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A Falácia da Justiça Social - Você tem coragem de encarar o tema?



A Falácia da Justiça Social
Autor: Carl Teichrib
Forcing Change, Volume 4, Edição 9

Nota de Berit Kjos: Estas informações são vitais! O artigo é extenso, porém a leitura vale muito a pena. Se você não tiver muito tempo para ler o artigo inteiro agora, leia pelo menos a seção intitulada "Justiça Social Marxista".

(a imagem abaixo fora extraida do site: http:\\pedrodaveiga.blogspot.com.br201102falacia-sindical-lulista.html)

Nota do Autor: Muitos volumes poderiam ser escritos sobre as diferentes aplicações históricas e filosóficas da "justiça social" e poderíamos facilmente nos perder em um emaranhado de ideologias e nuanças. Portanto, este artigo procurará examinar o elemento central da justiça social como um movimento político, social e econômico recente.

"... Precisamos entender que o único caminho para a paz e para a justiça social é o socialismo... Com classes exploradoras nunca haverá justiça social, e sem a justiça social nunca haverá paz. [1; Celia Hart].

"... é necessário compreender que toda teoria moderna de justiça social é ideológica. Independente de quão sensata ou racional ela possa ser, toda teoria moderna de justiça social é a racionalização dos interesses de um determinado grupo ou classe." [2; William E. Murnion].

"... Todas as tendências modernas apontam para o espectro de uma conformidade maior, terrível e sem misericórdia. [3; Erik von Kuehnelt-Leddihn].

Um sentimento ardente e perturbador subiu do meu peito até a minha garganta. Uma avalanche de palavras iradas saíram da minha pequena boca. Minha indignação não podia ser sufocada. Uma declaração final ressoou com intensa convicção:

"Quando eu for mais velho, vou fazer alguma coisa para mudar isto."

Quantos anos eu tinha? Dez, talvez menos. Mas eu tinha visto o suficiente para saber. Graves injustiças tinham sido observadas.

Lembro-me bem da amarga experiência. Eu, um garoto sensato da fazenda — e meus avós, donos de uma pequena loja de tecidos em uma pacata cidade da campina — tínhamos viajado para a claustrofóbica cidade de Winnipeg. O objetivo: visitar as lojas de artigos têxteis para comprar tecidos. Depois de dois dias conhecendo os depósitos e o chão das fábricas, eu sabia que aquilo era o fim do mundo. As condições de trabalho eram deploráveis: pouca luz solar, cores das pinturas das instalações inadequadas, comerciantes idosos e malcheirosos.

"— Aqui está um doce, garoto." Parecia que estava estragado.

Em um instante crítico, minha avó teve de me fazer calar a boca. Será que ela não sabia? Será que ninguém se importava? A única máquina de vender Pepsi pela qual passamos no corredor escuro tinha um aviso de importância profética: "Enguiçada". E eu estava morrendo de sede.

Sim, a indústria têxtil — na verdade, todo o mundo empresarial — estava enguiçado. Como alguém consegue trabalhar em um lugar tão deprimente? O tédio sozinho era suficiente para matar as pessoas, e estava me matando!

Depois que nos abastecemos com os tecidos e deixamos aquela desolação urbana, tive um vislumbre de algo mais. Uma chaminé revestida de tijolos contrastava com o céu do fim da tarde e a fumaça — ou vapor, não importa — era arrotada para fora para sufocar a vida da natureza.

Será que aquelas pessoas não sabem o que estão fazendo? Será que ninguém no governo tem cérebro? Não somente a cidade era um lugar depressivo e os depósitos terríveis para os trabalhadores, mas também as fábricas estavam para matar tudo! Quando eu crescer, vou colocar fim a esta loucura. Outros se uniriam nesse desejo de mudar o mundo. Salvaríamos os trabalhadores de sua intolerável escravidão e resgataríamos o ambiente das mãos de comerciantes gananciosos. A justiça e a vingança seriam feitas, aqui no país ou no estrangeiro.

A vovó tranquilamente me apoiou. Vovô, de lábios cerrados, não disse nada e apenas aumentou velocidade em que dirigia o veículo.

Mudando as Mentes

Olhando para trás, fico admirado. Para uma mente jovem, eu tinha um forte senso de "direitos sociais" e "justiça". E eu era o candidato perfeito para se inclinar para o lado mais extremo do campo esquerdista. De fato, minha mente impressionável já estava se movendo nessa direção. Sem saber, eu estava simulando uma abordagem marxista — revolução social por meio da ação das massas — eu estava emocionalmente convencido que a cirurgia radical era o único recurso. De onde veio isto?

Meus pais e avós eram agricultores sérios e donos de um negócio. Eles trabalhavam arduamente em seus respectivos meios de vida, eram rápidos em ajudar quem necessitava de apoio, e contribuíam com a comunidade local de diversas maneiras — inclusive, da parte de minha mãe, com o ensino da língua inglesa para os imigrantes do Laos (aqueles eram os dias dos refugiados que fugiam em barcos de pesca). Tanto meus pais como meus avós enfatizavam a ética e os valores cristãos, defendiam os injustiçados, e permaneciam independentes em face à pressão dos seus pares: "Você nasceu original, não morra como uma cópia".

A igreja que eu frequentava tinha raízes menonitas, mas não aderia à ideologia da Esquerda. De fato, ela tinha se separado em parte da denominação menonita devido a uma crescente inclinação socialista na denominação. No fundo, éramos provavelmente a única igreja menonita não pacifista da região.

Televisão? Não. Naquele tempo a TV consistia em Coelho Pernalonga nas noites de sábado, e papai tentando assistir ao programa do Lawrence Welk enquanto nós, as crianças, fielmente, imitávamos o Coiote e o Papa-Léguas. Simplesmente não havia muito tempo para a televisão.

Escola pública? Era o fim do anos 1970s, e o currículo "ambiental" já estava em uso. No ensino médio, do outro lado da rua, O Manual Ambiental era usado como um texto — completo com a retórica abertamente anticristã, antifamília, e anticapitalista(Veja Forcing Change, volume 3, número 2). O Manual Ambiental, para todos os efeitos práticos, era uma chamada marxista/trotskista à ação radical "verde" — "nada menos que uma transformação total é necessária". (The Environmental Handbook, 1970, pág. 330). Outros textos escolares, como Prose of Relevance e Worlds in the Making, formavam as mentes para aceitarem inúmeras mudanças culturais — incluindo o movimento em direção aos ideais socialistas e tecnocráticos. [4].

A escola primária e secundária também testemunharam um fluxo constante de transformação curricular. Lembro-me de ouvir sobre os problemas crescentes da superpopulação e a destruição do ecossistema causados pela avidez humana e pela poluição. A injustiça estava acontecendo em diferentes partes do mundo. A aniquilação nuclear era iminente.

Quer declarada ou sutil, a mensagem era clara: As velhas formas de como a sociedade funcionava já não podiam ser toleradas. Muito estava em risco, e era responsabilidade da minha geração corrigir os problemas do mundo. Independente se os professores estavam cientes ou não, estávamos sendo moldados para mudar o sistema. Assim, uma diversidade de alternativas culturais e sociais entraram na sala de aula — incluindo o marxismo.

O fim dos anos 1960 e o início dos anos 1970 foi uma época crítica para a sociedade ocidental. A nova Esquerda, com suas técnicas de vanguarda, desafiou as normas culturais tradicionais. O radicalismo colidiu com o convencionalismo, a cultura das drogas floresceu e as formas orientais de espiritualidade se tornaram uma tendência. Nos EUA, o bem-estar social ou "estado servil" foi muito ampliado, incluindo experiências com moradia comunitária. Tudo isto foi acoplado à Guerra do Vietnã, primeiramente desmoralizando a França e depois os Estados Unidos. Durante aquele tempo, grupos de "paz" repetiam como papagaios a propaganda soviética; o capitalismo era igualado ao "belicismo", enquanto que o socialismo refletia equidade e paz.

O Ocidente, solapado pelas ideias progressistas (esquerdistas), abraçou esta tendência, embora Frederick C. Barghoorn, um professor de Yale que tinha sido preso pelo governo soviético em 1963, tenha advertido sobre o uso da "paz" como método para promover a ideologia marxista. Publicado um ano antes de sua detenção e libertação, seu livro Soviet Foreign Propaganda (Propaganda Externa Soviética) forneceu uma importante advertência:

"Deve ser enfatizado que todos os líderes soviéticos, desde Lênin e Trotski até Stalin e Khrushchev, se empenharam em sua propaganda de paz para atrair tanto os revolucionários que procuram a derrubada da democracia constitucional, quanto empresários ocidentais, progressistas, pacifistas, e o público em geral cujo conceito não-dialético de paz estava limitado à simples ausência de conflito armado." [5].

Os progressistas e pacifistas das nações ocidentais eram vistos como atores importantes na causa do marxismo internacional. A importância deles não veio de um conhecimento do programa Moscou-hegeliano-marxista, mas, de sua ignorância. Convencidos de terem um terreno moral mais elevado e cegos por uma sensação de esclarecimento, esses indivíduos promoveram a agenda comunista agindo com base na emoção do ideal. Em outras palavras, eles foram emocionalmente atraídos a uma causa de "justiça social" de orientação marxista; a "condição dos trabalhadores", as desigualdades econômicas e sociais, o desejo pela justiça baseada em classe, e a "luta pela paz". Esses indivíduos então se tornaram ativistas, educadores e definidores da opinião cultural. E eles exigiam a transformação social que, invariavelmente, deveria ter um tom anticapitalista e anti-individualista. Os garotos em Moscou sorriram satisfeitos.

A única maneira de "garantir a paz permanente no mundo", da perspectiva marxista, explicou Barghoon, é a "eliminação do capitalismo". [6]. A paz, a solidariedade, e a justiça pulsaram com um batimento leninista por todo este período de tempo turbulento. O capitalismo, com sua ênfase na propriedade privada e na livre economia, era considerado a principal causa do conflito social. O socialismo, com sua ênfase na comunidade e na ordem social, era o caminho para o progresso.

Esta ideologia de esquerda foi solidamente embutida na educação canadense durante os anos 1970 e, a partir desse ponto, suas impressões digitais podem ser observadas em praticamente todos os principais sistemas institucionais, incluindo as igrejas.

Retna Ghosh e Douglas Ray, no prefácio de seu livro de 1987, intitulado Social Change and Education in Canada ("Mudança Social e Educação no Canadá"), fornecem um breve esboço das teorias sociais que moldaram a educação moderna. Isto incluiu o Darwinismo Social, de Herbert Spencer, as teorias de conflito de Karl Marx, modernização e o conceito de capital humano com sua ênfase no desenvolvimento da mão-de-obra. Cada qual impactou o sistema escolar canadense, como também fizeram a tecnocracia e uma série de outras filosofias. E, embora o sistema possa ver distinções nessas teorias, a sala de aula estava muito mais confusa. Na verdade, qualquer uma dessas teorias — ou o conjunto de todas elas — pode modificar a visão de mundo do aluno. Todavia, raramente o aluno entende o ideal que está por trás do currículo.

Como Ghosh e Ray explicam:

"A mudança social, seja ela gradual ou revolucionária, é inevitável e traz consigo novos padrões de interação social. O lugar da educação nesse processo é complexo e crítico." (Social Change and Education in Canada, pág. vii).

Para a mente de um jovem, no fim dos anos 1970, bombardeada por uma série de padrões educacionais conflitantes, a luta emocional ligada às questões sociais exploradas parecia o mais relevante. Não admira que minha viagem para Winnipeg tenha terminado com um apelo trotskista para a revolução.

O que tudo isto tem a ver com "justiça social"? Tudo.

Justiça Social Católica

No mundo cristão de hoje — e na cultura ocidental em geral — há uma infinidade de mudanças ocorrendo, e com elas vêm uma nova linguagem. A "justiça social" é certamente o centro das atenções. Jim Wallis, da Sojourners, usa esse termo repetidamente. O livro do autor cristão emergente Brian McLaren, Everything Must Change (Tudo Precisa Mudar), visa reformular o cristianismo em um contexto de justiça social. A Igreja Cristã Reformada tem o gabinete de Justiça Social, assim como o Exército da Salvação, a Igreja Menonita dos EUA, a Igreja Metodista Unida, a Igreja Unida do Canadá. Além disso, uma lista interminável de outras denominações e órgãos da igreja falam a respeito da "justiça social".

Mas de onde vem este termo, e qual a sua história dominante?

O termo "justiça social" parece ter sido empregado pela primeira vez no início de 1840, por um teólogo católico e jesuíta italiano, Luigi D'Azeglio Taparelli [7]. Como Daniel M. Bell aponta em seu livro Liberation Theology After the End of History (A Teologia da Libertação Após o Fim da História), o conceito de D'Azeglio era "justiça como uma virtude geral que coordenava todas as atividades com o bem comum". [8].
O conceito de virtude é importante, pois traz consigo um tom de caridade. A visão de Taparelli girava em torno da justiça como um sistema de normas morais que incluíam direitos individuais e liberdade de associação. A grande maioria da comunidade — a "soma total de bens individuais" [9] — se beneficiaria. Essa forma de "justiça" também era conhecida como justiça econômica, e via a redistribuição da riqueza como uma coordenação de direitos. A administração direta do governo deveria ser evitada sempre que possível, pois Taparelli reconhecia o perigo da centralização. [10].

Em 1891, o papa Leão XIII publicou sua encíclica Rerum Novarum (em português: "Das Coisas Novas"), que tratava das condições da classe trabalhadora, do direito à propriedade privada, e os relacionamentos no ambiente de trabalho. Leão XIII rejeitou o comunismo e a ganância que surge a partir da aplicação amoral do capitalismo e, ao invés disso, defendia que os trabalhadores e o empregador deveriam chegar a um acordo honesto em relação ao trabalho e ao salário.

Décadas mais tarde, o papa Pio XI escreveu sua encíclica Quadragesimo Anno, em que denunciou o comunismo e, ao mesmo tempo, adotou a redistribuição da riqueza — a divisão de benefícios — como uma função de uma justiça social (§ 57).

"Por esta lei de justiça social, uma classe fica proibida de excluir a outra da partilha dos benefícios".

Embora essa ideia tenha começado a ampliar os limites anteriores da justiça social católica, pelo menos ele reconheceu que todos os lados da divisão de classes poderiam ser atores negativos: o rico retendo os salários devidos ao trabalhador e o trabalhador exigindo tudo do rico. Exceto isto, o sistema de livre mercado não era um meio aceitável de construir uma civilização baseada na justiça social.

"Assim como a unidade da sociedade humana não pode ser fundada sobre a oposição de classes, assim também a correta ordenação da vida econômica não pode ser deixada à livre concorrência das forças. A partir dessa fonte, a partir de uma fonte venenosa, têm se originado e propagado todos os erros do ensino econômico individualista... a livre concorrência, embora justificada e certamente proveitosa desde que mantida dentro de certos limites, evidentemente, não pode dirigir a vida econômica — uma verdade que a consequência da aplicação na prática dos princípios deste espírito maligno e individualista tem mais do que suficientemente demonstrado. Portanto, é mais necessário que a vida econômica seja novamente submetida e governada por um princípio diretor verdadeiro e eficaz". (§ 88).

Durante a leitura da encíclica, uma perturbadora linguagem ambígua aparece. O comunismo é criticado, porém o livre mercado é maligno. Nesta dialética o resultado final é que "certos tipos de propriedade... devem ser reservadas ao Estado." A "autoridade pública", segundo Pio XI, deve manter a propriedade das empresas que promovem o "bem-estar geral". (§114-115) A descida da ladeira escorregadia tinha agora começado de fato; "justiça social" seria a desculpa por excelência na proposta para um sistema coletivista global.

Falando acerca do ponto de vista de Pio XI sobre a justiça econômica, o papa João XXIII salientou que "o objetivo do homem deve ser alcançar, na justiça social, uma ordem judicial nacional e internacional, com sua rede de instituições públicas e privadas, em que toda atividade econômica possa ser conduzida não meramente para fins privados, mas também no interesse do bem comum." [11]. João XXIII advogava uma "autoridade universal" para assegurar esse "bem comum". [12].

Mais tarde, em 1965, o papa Paulo VI fez comentários similares em um discurso na Organização das Nações Unidas, sugerindo abertamente o "estabelecimento de uma autoridade mundial". [13]. Por quê? Porque uma autoridade mundial é necessária para estabelecer e manter o "bem comum" internacional. Nesse mesmo ano, o documento de Paulo VI Gaudium et Spes — Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo Moderno — reconheceu que a Igreja Católica tem um importante papel a desempenhar na construção de "uma comunidade pacífica e fraterna das nações". (§ 90).

Nesse sentido, ele recomendou na Seção II, intitulada "Criação de uma Comunidade Internacional", a criação de um órgão católico destinado à promover a "justiça social internacional". (§ 90) O individualismo foi aprovado no documento, mas deve apoiar o bem maior. O coletivismo na produção foi considerado errôneo, mas uma forma de coletivismo social foi considerada necessária.

Um trecho do 65° parágrafo demonstra essa relação de justiça social:

"Os cidadãos, por outro lado, devem lembrar que é seu direito e dever, o que também é reconhecido pela autoridade civil, contribuir com o verdadeiro progresso de sua própria comunidade de acordo com sua capacidade... Aqueles que retêm seus recursos improdutivos ou aqueles que privam sua comunidade da ajuda material ou espiritual que ela necessita — salvo o direito de migração — gravemente põem em risco o bem comum."

Aqui, vemos uma oscilação para muito além da ideia anterior de uma virtude caridosa. A implicação é clara: você irá participar. No contexto desse documento em particular, essa participação inclui as exigências de uma comunidade global e uma autoridade civil mundial.

Embora o papa João Paulo II tenha sido considerado mais conservador, ele também apoiou um programa de justiça social com enfoque global. Isso ficou evidente em seu endosso aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU, que gravitam em torno da redistribuição da riqueza. [Nota: Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio têm metas admiráveis, porém os métodos são altamente suspeitos.] Os bispos católicos dos EUA, durante o pontificado de João Paulo II, foram claros a respeito da justiça social em sua carta Justiça Econômica para Todos, publicada em 1986:

"O bem comum às vezes pode exigir que o direito ao próprio seja limitado por envolvimento público no planejamento ou na propriedade de certos setores da economia. O apoio à propriedade privada não significa que alguém tenha o direito de acumulação ilimitada de riqueza." (§115).

De maneira interessante, os comentaristas católicos de todos os lados do espectro político descreveram o documento dos bispos como "pró-capitalista". Entretanto, uma rápida leitura demonstra que a Justiça Econômica para Todos é pró-socialista. Sim, a responsabilidade do indivíduo é destacada e a propriedade privada é legalizada. No entanto, é a versão dos bispos de justiça que exibe um conjunto diferente de cartas, com seu apelo coletivista, programas governamentais direcionados a solucionar os males sociais. Os indivíduos, portanto, são obrigados a contribuírem para o bem comum. Em outras palavras, se você pode contribuir para o bem comum, entãoprecisa contribuir. Isto é similar à máxima marxista:

"De cada um segundo sua capacidade, a cada um, segundo sua necessidade."

Escrevendo para o Journal of Business Ethics (Jornal da Ética Empresarial), William E. Murnion faz uma avaliação direta do texto dos bispos: "... a concepção de justiça que apoiam é... claramente socialista e mais, comunista". Murnion reconheceu que os bispos não eram "cripto-comunistas", apenas que a "concepção de justiça social deles é de fato idêntica ao princípio comunista de justiça, embora os bispos tenham chegado a ela a partir de uma rota completamente oposta à de Marx." [14].

Lembre-se também que a década de 1980 foi a era da Teologia da Libertação na América Latina, que combinou formas revolucionárias de marxismo com ensinos sociais católicos. Embora o Vaticano tenha rejeitado certos aspectos da Teologia da Libertação, esse marxismo romanista foi, no entanto, uma extensão lógica da "justiça social".

Finalmente, a partir da perspectiva católica, o papa Bento XVI demonstrou amplamente sua afinidade com a justiça social com sua encíclica Caritas In Veritate (Nota: AForcing Change publicou uma extensa análise desse documento no Volume 3, Edição 8). Aqui, a justiça social é reconhecida como uma questão de importância econômica e política primordial, que vai além da abordagem do livre mercado.

E como um recorde quebrado, o sistema de mercado deve ser dirigido "rumo a busca do bem comum". (§ 36).

"A comunidade política", assim explicou Bento XVI, "deve também assumir a responsabilidade". A redistribuição econômica, de acordo com essa encíclica, é justiça. O papa também recomendou que as Nações Unidas sejam reformadas, junto com a economia global, de modo que uma "verdadeira autoridade política mundial" possa emergir "com força". (§ 67) Por quê?

Para "tentar estabelecer o bem comum". (§ 67).

Concluindo esta seção: Apesar de alguns ensinamentos do papa defenderem a propriedade privada e rejeitarem o comunismo, como Leão XIII na Rerum Novarum, a hierarquia católica romana durante o século passado tem, crescentemente, construído uma ponte entre a "justiça social" e o coletivismo econômico e político.

Entretanto, outro movimento histórico surgiu paralelamente à versão católica moderna de justiça social, dando energia ativa à frase. E se a ideia do papa de justiça social encontrou-se na ladeira escorregadia do coletivismo, esse movimento paralelo intencionalmente se dirigiu para a parte mais baixa da colina.

Justiça Social Marxista

Há várias gerações que existe um lado ativista junto com a ideia da redistribuição da riqueza. Essa frente popular, com uma rede de grupos dissidentes, organizações e companheiros de viagem, usou a "justiça social" como grito de guerra para a transformação social. De fato, esse movimento é muito vivo hoje em dia, e continua a usar o termo como um estandarte eficaz. Esses agitadores da bandeira da justiça social são os pregadores mais eloquentes do coletivismo; os seguidoras de Karl Marx, Lenin, Stalin, Mao, Fidel Castro e dezenas de outros líderes socialistas e comunistas.

Os comunistas e os radicais sociais têm sido, facilmente, os vencedores quando se trata de empregar esse termo. A Internacional Socialista sempre usou esse termo, como também as organizações trotskistas, as facções vermelhas, e uma infinidade de partidos políticos socialistas. Ele é também um dos termos favoritos do Partido Verde, com uma pequena diferença de significado de seus irmãos socialistas.

A ideia de justiça social dentro de um contexto político remonta um longo percurso. Em 1848, a Sociedade Fraternal dos Democratas, um órgão internacional que conviveu com Karl Marx e Friedrich Engels, divulgou uma ameaça velada contra o sistema britânico:

"Que as classes privilegiadas renunciem às suas usurpações injustas e estabeleçam a igualdade política e a justiça social, e assim a Inglaterra não terá nada a temer de um mundo armado." [15].

Marx e Engels elaboraram sua "ciência do socialismo" durante o mesmo período de tempo da "justiça social" de Luigi Taparelli D'Azeglio. E o Manifesto Comunista foi publicado no mesmo ano em que a Sociedade Fraternal dos Democratas propunha a justiça social. Sob o comunismo, a redistribuição da riqueza deveria ser usada para fins sociais. Nessa estrutura, a propriedade privada para ganho pessoal era vista como a pedra angular do sistema de classes, e era considerada a causa das injustiças sociais e dos conflitos. Portanto, a redistribuição da riqueza era destinada à criação de uma sociedade em que todas as pessoas seriam economicamente iguais. Assim, a abolição da propriedade burguesa (pertencente à classe capitalista) era a chave para o comunismo.

Para fazer isto funcionar, algo mais seria necessário: Uma estrutura para dar voz política às massas. Marx e Engels olharam para a democracia. Uma vez que o proletariado (a classe operária) tivesse alcançado o poder político, um sistema social mais justo poderia ser gerado.

"... O primeiro passo para a revolução da classe operária, é elevar o proletariado à posição de classe dominante, para vencer a batalha da democracia."

"O proletariado utilizará sua supremacia política para arrancar, aos poucos, todo o capital da burguesia, para centralizar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado, isto é, do proletariado constituído como classe dominante, e para ampliar o total da capacidade produtiva o mais rápido possível."
"É claro que, no início, isso não pode ser executado, exceto, por meio da usurpação despótica dos direitos de propriedade..." [16].

Este conceito de justiça social, a ascensão de uma classe "oprimida" por meio da degradação de outra classe, é um processo reacionário baseado no despertar da inveja. Neste nível básico, o comunismo está diretamente ligado à Revolução Francesa — um evento que acendeu o fervor revolucionário no mundo inteiro e cujos disparos ecoam ainda hoje. Erik von Kuehnelt-Leddihn, um filósofo austríaco e defensor da liberdade, fornece o contexto histórico:

"Se alguém pegar papel e caneta e fizer uma estimativa de quantas pessoas foram assassinadas ou mortas na batalha por causa das ideias da Revolução Francesa, em seus vários estágios, aspectos, e formas revolucionárias, por causa das ideias de igualdade, identidade étnica ou racial, uma 'sociedade sem classes', um 'mundo seguro pela democracia', um 'povo de raça pura', 'justiça social verdadeira alcançada pela engenharia social' — chegará simplesmente a um total inacreditável. Até o Holocausto judeu perpetrado pelos nacionais-socialistas, com seus cinco ou seis milhões de mortos, poderá parecer quase que uma gota de água em um balde." [17].

Tecendo o fio da inveja e da mudança social, Kuehnelt-Leddihn nos faz lembrar que:

"Nos últimos 200 anos a exploração da inveja, sua mobilização entre as massas, juntamente com a depreciação dos indivíduos, porém, mais frequentemente das classes, etnias e comunidades nacionais ou religiosas, tem sido a verdadeira chave para o sucesso político. A história do mundo ocidental desde o fim do século 18 não pode ser escrita sem esse fato sempre em mente. Todos os "ismos" esquerdistas tocam neste tema, ou seja, no privilégio de grupos, grupos minoritários, que na verdade, são objetos de cobiça e ao mesmo tempo temas de inferioridades intelectuais-morais. Eles não têm direito às suas posições elevadas. Eles devem estar em conformidade com o resto, devem se tornar idênticos ao "povo", devem renunciar aos seus privilégios, devem se conformar. Se falam outra língua, devem deixar de usá-la e falar a língua da maioria. Se são ricos, suas riquezas devem ser tributadas ou confiscadas". [18] (grifos no original).

Este método de despertar a inveja, frequentemente mascarada de virtude — "estamos fazendo isto em prol dos pobres e oprimidos" — é construído com base em um sentimento de superioridade moral e indignação, que em seguida se fermenta em ódio e "ação social". Neste ponto a emoção do ideal se transforma no condutor da transformação. Apoiado sobre esse elevado ponto auto-construído, rapidamente, aprovamos o socialismo (o roubo de todos para o "bem maior"). Ou, descontentes com a lentidão do socialismo, buscamos o comunismo por meio da revolução (a destruição de uma classe para o "bem maior"). De qualquer maneira, instituímos o coletivismo —a capacitação daqueles que reivindicam conduzir o bem geral.
Em tudo isto, a democracia aparece em plena forma, assumindo um papel de purificação expressa como "O Governo das Massas". Aquele que controla a maior multidão por meio da emoção do ideal é quem governa. A mudança social então ocorre, seja por meio das urnas, ou pelo cano de uma arma. Não importa: A massa falou, a igualdade será imposta, e poderemos sentir a "calorosa sensação de rebanho da fraternidade". [19].

Herbert Read, um crítico literário e ex-marxista, compreendeu bem essas conexões:

"O comunismo é uma forma extrema de democracia, e é totalitário; entretanto, o Estado totalitário sob a forma do fascismo é igualmente uma forma extrema de democracia. Todas as formas de socialismo, seja o socialismo estatal do tipo russo, o socialismo nacional do tipo alemão, ou o socialismo democrático do tipo britânico, são declaradamente democráticos, isto é, todos eles obtêm aprovação popular por meio da manipulação psicológica das massas." [20].

Ao longo dos anos, líderes comunistas e socialistas têm reunido as massas com a mensagem de desigualdade ("opressão") e a solução da justiça social: igualdade econômica. "O comunismo estava destinado a ter um propósito universal libertador. Ele iria colocar um fim nas desigualdades e estabelecer a real justiça social." [21].

Em 1898, Eugene V. Debs — posteriormente chamado de "O maior marxista da América" — igualou uma sociedade coletiva, a liberdade industrial e a justiça social. [22]. Alguns anos mais tarde, durante a Primeira Guerra Mundial, ele observou que a paz permanente baseada na justiça social não poderia ocorrer até que o "despotismo industrial nacional" fosse substituído pela "democracia industrial internacional". O lucro econômico era um anátema para a paz, e o fim da guerra só poderia vir com "o fim do lucro e da espoliação entre as nações". [23]. Uma nova ordem era necessária, em que uma classe era despojada e substituída por um mecanismo internacional e humano mais progressista.

V. I. Lenin e sua turma "chegaram ao poder com um ambicioso programa de medidas destinado a assegurar a justiça social e a melhorar a vida dos pobres." [24]. Maxim Gorky, que foi um amigo de Lenin, expressou isto em palavras louváveis de apreço:

"... Seria uma tarefa difícil pintar o retrato de Vladimir IIyitch Lenin. Suas palavras eram tanto parte de sua aparência externa como as escamas são para um peixe. A simplicidade e a franqueza de tudo o que ele disse eram uma parte essencial de sua natureza. Os feitos heróicos que ele realizou não estão cercados por nenhuma auréola resplandecente. O seu heroísmo era aquele que a Rússia conhece bem — a modéstia, a vida austera de auto-sacrifício do verdadeiro intelectual revolucionário russo que, em sua crença inabalável na possibilidade de justiça social na terra, renuncia a todos os prazeres da vida a fim de trabalhar pela felicidade da humanidade." [25].

O resultado foi desastroso. Mervyn Matthews nos conta: "As tentativas de banir a 'exploração capitalista' simplesmente destruíram as classes mais ricas sem beneficiar mais do que uma pequena proporção dos pobres." [26].

Mas, aquilo beneficiou Lenin e sua turma. Não se impressione com a montanha de cadáveres; o progresso sempre tem um preço.

"Desde que a Revolução Francesa estabeleceu um novo padrão elevado de liberdade política no mundo, não houve nenhum outro avanço no progresso democrático e na justiça social comparável com a Revolução Russa..." (Partido Socialista da América, nota à imprensa, agosto de 1918).

Em 1922, a Revolução Russa tinha custado as vidas de 6 a 10 milhões de pessoas.

Décadas depois nas Américas, Fidel Castro resumiu a revolução cubana "como uma aspiração por justiça social". [27]. Che Guevara resumiu sua sangrenta revolução como uma "luta armada pela liberdade de direitos e pela justiça social." [28]. Esse tema bruto é comum a todos os levantes da esquerda, porque repousa no coração de todas as ideologias esquerdistas. A Série de Aulas Sobre Justiça Social, de Will Miller, demonstra esse fato por meio do simbolismo em seu estandarte: Marxismo, paz mundial, revolução social, feminismo, etc.

Celia Hart, uma internacionalista, em dezembro de 2003, coloca desta forma:

"... Precisamos entender que o único caminho para a paz e para a justiça social é o socialismo. A coexistência pacífica e todas as suas falácias tragicamente perderam sua oportunidade de triunfar. Com classes exploradoras nunca haverá justiça social, e sem a justiça social nunca haverá paz... Vamos unir o povo sob a bandeira da Internacional. O mundo nunca precisou, como agora, se lembrar do dia 7 de novembro (o aniversário da Revolução de Outubro). Devemos compreender como nunca que a bandeira do bolchevismo nunca morreu... E vamos gritar aos nossos inimigos, independente de sermos chamados por eles de terroristas, que não lutaremos pela guerra imperialista, ou pela paz miserável das injustiças; lutaremos juntos pela revolução socialista em combate permanente. Trabalhadores de todo mundo, uni-vos!" [29].

Isto é um chamado radical. Hoje, vemos a justiça social ligada a uma miríade de movimentos radicais, incluindo o ambientalismo. Termos moralmente elevados e que soam bonitos aos ouvidos surgem dessa união marxista-verde: "Eco-justiça", "justiça-verde", e "justiça climática".

Em 1990, o governo da província canadense de Manitoba, com a participação da UNESCO, convocou a prestigiosa Conferência Mundial da Energia do Meio Ambiente e da Economia. O tema foi provocativo: "Estratégias de Desenvolvimento Sustentável e a Nova Ordem Mundial".

Um relatório foi divulgado com os resultados, intitulado Programa de Desenvolvimento Sustentável para um Novo Mundo. O Capítulo 2, "Rumo à Constituição Global Verde" apresenta uma seção com o subtítulo "Justiça Social". O controle populacional, os regulamentos da energia verde e sistemas contábeis que sugerem "uma política oficial global de uma criança por família", e o "princípio da igualdade econômica global", seriam fundamentais para o "governo verde", dizia o texto. Os direitos humanos poderiam também estar na linha de frente. Tenha em mente que o seguinte, foi considerado uma situação positiva das coisas:

"Popular ou não, os governos verdes irão se opor à qualquer cultura, se esta se revelar prejudicial em razão de gênero, idade, cor, etnia, religião, crença, orientação sexual, condição física ou mental, estado civil, composição familiar, fonte de renda, opinião política, nacionalidade, preferência de idioma ou lugar de origem." [30].

"Atitudes intoleráveis" não serão permitidas, tudo em nome da proteção aos oprimidos. Agora, a opressão real é má. Ninguém em perfeito juízo quer que o despotismo ocorra ou floresça. Mas a justiça social à moda coletivista é a forma mais perigosa de opressão que se possa imaginar. Além disso, o verdadeiramente oprimido — como os camponeses da antiga União Soviética — raramente têm sua carga aliviada sob a justiça social. Em vez disso, com a destruição do capital criativo inerente ao mercado livre, a situação dos fracos continua. A vida se torna mais difícil.

Não é de se admirar que F. A. Hayek tenha chamado a justiça social baseada no marxismo de "pseudo-ética". Uma ética "é reprovada em todos os critérios que um sistema de regras morais deve satisfazer, para assegurar a paz e a cooperação voluntária dos homens livres." [31].

Usando Corretamente Nossos Termos

"Minha igreja tem um mandato de justiça social... Isto é algo que apoio."

Parece bom, mas você pode me dizer o que isto significa? A resposta usual que recebo, felizmente centra-se em alimentar os pobres, ajudar em um abrigo para os sem-teto ou em uma casa de apoio, dar assistência aos idosos, trabalhar com adolescentes problemáticos ou ajudar a manter um orfanato.

Desculpe, isto não é justiça social. O conceito predominante de justiça social nos últimos 150 anos tem sido focalizado na ladeira escorregadia da redistribuição da riqueza defendida pelos papas e em uma versão marxista de coletivismo. Alimentar os pobres e ajudar os necessitados, a partir de uma perspectiva cristã, não é justiça social — é a compaixão bíblica, um ato generoso de amor. Atos como esses de compaixão envolvem vidas individuais, e estão baseados no chamado cristão de amar aos outros mais do que a si mesmo. Este é o âmago da compaixão: Um indivíduo vê uma necessidade e, operando com amor, aproxima-se para atender a essa necessidade. As igrejas também devem funcionar de maneira semelhante. Uma necessidade é manifesta e, movida pela compaixão, a congregação trabalha para resolver o problema. A coerção nunca entra em cena, nem um programa político emerge, nem um chamado à igualdade econômica é ouvido.

A parábola bíblica do Bom Samaritano revela a verdadeira compaixão (Lucas 10). Um homem judeu havia sido espancado, roubado e abandonado à morte no caminho. Várias pessoas passaram por ele, incluindo um religioso. Entretanto, um viajante samaritano vê o homem e, embora pertença a um grupo étnico que é desprezado pelo homem espancado, ele reconhece o desespero e age individualmente — tratando de suas feridas e provendo um lugar de repouso e abrigo. E o samaritano paga todas as despesas sem exigir devolução ou recompensa, seja por parte da vítima, de sua família ou da comunidade, ou do governo ou da classe dominante.

No entanto, se o samaritano fosse um defensor do tema dominante na justiça social, ele teria agido por uma causa diferente e para fins diferentes. O samaritano teria usado a ocasião para fazer lóbi pela transformação social:

Os salteadores eram realmente vítimas de um sistema econômico injusto, e agiram em resposta à opressão da classe dominante.

A fim de fazer justiça a essa classe oprimida, e dirigi-la de volta a uma comunidade solidária, a redistribuição de riqueza equitativa deve ser realizada. Os ricos devem ser tributados para financiar programas sociais necessários. Uma sociedade mais equitativa é necessária.

Quem assumirá as despesas médicas da vítima? A comunidade ou os ricos.

Este trágico acontecimento, o samaritano diria, é um lembrete figurativo da luta de classes. Todos somos vítimas de uma ordem econômica injusta. Portanto, devemos ser "a voz dos que não têm voz" e defender a mudança social radical.

No âmbito da justiça social, há outro programa que se esconde por trás do trágico: Uma causa político-econômica pega carona e é alavancada — a causa da igualdade econômica por meio da redistribuição da riqueza. Não se trata de realmente ajudar a vítima, mas de fazer uso da vítima.

A justiça bíblica, por outro lado, nunca busca desmantelar as estruturas de classes. Más ações são condenadas, mas isto não é específico para uma determinada camada social. Considere as palavras de Levítico 19:15: "Não farás injustiça no juízo; não respeitarás o pobre, nem honrarás o poderoso; com justiça julgarás o teu próximo."

O Dr. Mark W. Hendrickson ajuda a colocar as coisas em perspectiva:

"A justiça (bíblica) não apenas significa que ninguém deve ser perseguido por ser pobre ou favorecido por ser rico, mas que (contrariamente à doutrina da justiça social) ninguém deve ser perseguido por ser pobre ou favorecido por ser rico". [32].

O Dr. Hendrickson completa:

"O principal erro dos praticantes da 'justiça social' de hoje é sua hostilidade à desigualdade econômica por si só. A teoria da justiça social falha em distinguir entre as disparidades econômicas que resultam de atos injustos e as que fazem parte da ordem natural das coisas. Todos os cristãos se opõem à ações injustas... Mas, não é necessariamente injusto que algumas pessoas sejam mais ricas que as outras."

"Deus nos fez diferentes uns dos outros. Somos desiguais em aptidão, talentos, habilidades, ética do trabalho, prioridades, etc. Inevitavelmente, essas diferenças resultam em alguns indivíduos que produzem e obtêm muito mais riqueza do que os outros. À medida que aqueles que no campo da "justiça social" se tornam obcecados em eliminar a desigualdade econômica, eles se vêem em guerra com a natureza da criação do Criador."

"A Bíblia não condena a desigualdade econômica. Você não pode ler Provérbios sem enxergar que algumas pessoas são pobres por causa de seus próprios vícios. Não há nada injusto no fato de as pessoas colherem aquilo que semearam, seja a riqueza ou a pobreza."

"O próprio Jesus não condenou a desigualdade econômica. Sim, Ele repetidamente advertiu sobre as armadilhas da riqueza material, Ele condenou a confortável convenção e tendência dos fariseus de considerarem a prosperidade como um sinal de honra e superioridade, Ele ordenou a compaixão para com os pobres e com os que sofrem. Mas, Ele também disse a seus discípulos: 'Porquanto sempre tendes convosco os pobres.' (Mateus 26:09) e, na Parábola dos Talentos (Mateus 25:24-30), Ele condenou a falta de um uso produtivo dos talentos recebidos de Deus — sejam muitos ou poucos, excepcionais ou comuns. Na parábola, um senhor toma o dinheiro do seu servo que menos tinha recebido e o entrega para o servo que mais tinha recebido, aumentando assim a desigualdade econômica."

"A missão do Senhor foi nos redimir do pecado, não redistribuir nossa propriedade ou impor uma igualdade econômica sobre nós. De fato, Jesus explicitamente se recusou a prejudicar os direitos de propriedade ou pregar a igualdade econômica, quando respondeu ao homem que lhe pediu para dizer a seu irmão para dividir a herança com ele: 'Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?' (Lucas 12:14)" [33].

Devo confessar que é fácil cair na maneira de pensar da justiça social. Meu discurso retórico da infância sobre o que eu concebia serem injustiças, me mostrou, retrospectivamente, a força de um ideal emocional. No entanto, se por algum motivo eu tivesse seguido no meu desabafo hipócrita, e me tornado um defensor da justiça social, no verdadeiro sentido da frase, uma triste ironia teria ocorrido: Em nome da "justiça", eu teria promovido o roubo socialmente sancionado.

Queridos cristãos, vamos agir com compaixão, ser caridosos, e buscar a verdadeira justiça; sejamos sábios em nossas ações, claros na nossa linguagem e honestos em nossas motivações.

Notas Finais

1. Celia Hart, The Flag of Coyoacan, editado por Walter Lippmann em agosto de 2004. Reimpresso em www.Marxist.org.
2. William E. Murnion, "The Ideology of Social Justice in Economic Justice For All",Journal of Business Ethics, pág. 848, 1989.
3. Erik von Kuehnelt-Leddihn, Leftism: From de Sade and Marx to Hitler and Marcuse(Arlington House, 1974), pág. 17.
4. Prose of Relevance, Volume 1 & 2 (Methuen, 1971); Maryjane Dunstan and Patricia W. Garlan, Worlds in the Making: Probes for Students of the Future (Prentice-Hall, 1970).
5. Frederick C. Barghoorn, Soviet Foreign Propaganda (Princeton University Press, 1964), págs. 93-94.
6. Ibidem pág. 89.
7. Marvin L. Krier Mich, Catholic Social Teaching and Movement (Twenty-Third Publications, 1998), pág. 80-81. Veja também Daniel M. Bell, Liberation Theology: After the End of History (Routledge, 2001), pág. 104.
8. Daniel M. Bell, Liberation Theology After the End of History (Routledge, 2001), pág. 104.
9. Ibidem, pág. 104.
10. Thomas Behr, “Luigi Taparelli and Social Justice: Rediscovering the Origins of a Hollowed Concept,” Social Justice in Context, Volume, 1.
11. Papa João XXIII, Mater et Magistra, Parágrafo 40.
12. Papa João XXIII, Pacem in Terris, veja a Seção 4, Parágrafos 130 a 141.
13. Papa Paulo VI, Discurso na ONU, 4 de outubro de 1965; Seção 3.
14. William E. Murnion, “The Ideology of Social Justice in Economic Justice For All”,Journal of Business Ethics, veja as páginas 847-857, 1989.
15. The Chartist Movement: The Fraternal Democrats to the Working Classes of Great Britain and Ireland, 10 de janeiro de 1848. Conforme republicado em www.Marxists.org.
16. Karl Marx and Friedrich Engels, The Communist Manifesto (Penguin, 1967), pág. 104.
17. Erik von Kuehnelt-Leddihn, Leftism: From de Sade and Marx to Hitler and Marcuse(Arlington House, 1974), pág. 419.
18. Ibidem, pág. 18.
19. Ibidem, pág. 17.
20. Conforme citado em Leftism, pág. 174.
21. Robert Gellately, Lenin, Stalin, and Hitler: The Age of Social Catastrophe (Vintage, 2007), pág. 10.
22. Eugene V. Debs, "The American Movement", publicado em Debs: His Life Writings and Speeches, e reimpresso em www.Marxist.org.
23. E. V. Debs, "The Prospect for Peace", American Socialist, 1916, reimpresso em www.Marxist.org.
24. Mervyn Matthews, Poverty in the Soviet Union: The Life-styles of the Underprivileged in Recent Years (Cambridge University Press, 1986), pág. 7.
25. Maxim Gorky, Days With Lenin, Readings in Russian Civilization, Volume 3 (The University of Chicago Press, 1969), págs. 517-518.
26. Matthews, Poverty in the Soviet Union, pág. 7-8.
27. Castro, Quando o Povo Governa, discurso em 21 de janeiro de 1959, Havana, Cuba.
28. Che Guevara, entrevista em 18 de abril de 1959 a dois jornalistas chineses, K’ung Mai e Ping An.
29. Celia Hart, ibidem.
30. Jim Bohlen, Towards A Global Green Constitution, Sustainable Development for a New World Agenda (Proceeding, October 17-20, 1990), pág. 11.
31. F. A. Hayek, Law, Legislation and Liberty: The Political Order of a Free People(University of Chicago Press, 1979), pág. 135.
32. Mark W. Hendrickson, The Social Justice Fallacy? Wolves in Sheep’s Clothing, 7 de abril de 2010 (The Center for Vision & Values, Grove City College).
33. Ibidem.


Autor: Carl Teichrib, artigo original em http://www.crossroad.to/articles2/forcing-change/010/10-social-justice.htm
Tradução: Talita S. Mendes
Data da publicação: 19/11/2010

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