sábado, 21 de abril de 2012

Cachoeira teme morrer na cadeia, e dados da PF revelariam ligações dele com cúpula do Judiciário

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Cachoeira teme morrer na cadeia, e dados da PF revelariam ligações dele com cúpula do Judiciário

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Por Jorge Serrão


Exclusivo – O empresário e lobista Carlos Augusto Ramos, o famoso Carlinhos Cachoeira, teme ser assassinado por encomenda na Penitenciária da Papuda, no Detrito Federal. A informação foi vazada ontem à noite por amigos do contraventor – que já perdeu 15 quilos na cadeia. Por isso, Cachoeira mandou avisar que, se algo de ruim lhe acontecer, seus dossiês com vídeos e gravações comprometedoras vão vazar como esgoto, com sérios prejuízos para políticos e até magistrados com quem tinha relações de “negócios”.

Já foi montada uma “operação abafa” para desaparecer com informações comprometedoras da operação Las Vegas, da Polícia Federal. Motivo: as investigações teriam desvendado ligações perigosas de Cachoeira com a cúpula do Judiciário. Sob “segredo de Justiça”, a documentação do inquérito da PF incriminaria nove ministros do STJ e quatro do STF por suas ligações com Cachoeira. Por isso, o escândalo Cachoeira pode desaguar em muito mais sujeira que o até agora impune Mensalão – a ser julgado no Supremo Tribunal Federal.

O detonador de dossiês, caso algo aconteça com Cachoeira, é o homem apontado como seu contador e tesoureiro. Único foragido da Operação Monte Carlo – o que parece uma piada de inusitada coincidência -, Geovani Pereira da Silva estaria escondido em Miami, nos EUA, com cópias de tudo que o contraventor tem gravado sobre gente graúda do governo federal e dos partidos políticos. Engraçado é conseguir imaginar como a PF não sabe onde Geovani se esconde... Ele seria o maior interessado em uma possível delação premiada...

Um dos maiores temores é que seja divulgado um vídeo em que Cachoeira dá R$ 1,5 milhão a uma alta figura ligada à campanha presidencial de Dilma Rousseff. Outro grande medo é que as investigações sobre Cachoeira desaguem sobre a empreiteira Delta. A empresa de Fernando Cavendish, amigão de Sérgio Cabral Filho, tem “negócios” com governos do PT, PMDB, DEM, PSDB. Circulam informações de que a construtora contratou Dirceu como “consultor”, o que o próprio Zé não negou até agora.

A sorte do governo é que Cachoeira conta com a defensoria do advogado Márcio Tomaz Bastos – que é um dos maiores aliados e operadores ocultos do governo petista no mundo jurídico. Informações no submundo da contravenção revelam que Bastos estaria recebendo honorários de R$ 16 milhões para cuidar do caso Cachoeira. Quem paga a conta do trabalho é o grande mistério. O certo é que a presença de Bastos blinda o governo – ao menos por enquanto – de ataques fatais de Cachoeira. Talvez seja por isso que o ex-presidente Lula da Silva joga tão pesado a favor da CPI do Cachoeira, no ritmo de “doa a quem doer, custe o que custar”.

Com as assinaturas válidas de 337 deputados e 72 senadores, o requerimento de criação da CPI do Cachoeira foi lido ontem de manhã pelo 1º secretário do Congresso, deputado Eduardo Gomes (TO). Os partidos terão até as 19h 30min da próxima terça-feira (dia 24) para indicar os integrantes. Ao todo são 15 deputados e 15 senadores, com igual número de suplentes. A escalação será muito complicada – sobretudo no Senado, onde pelo menos 15 senadores teriam forte ligação com Cachoeira. Até agora, só Demóstenes Torres (sem partido-GO) vem sendo alvo.

Consultoria é tudo...

Ligadíssima ao esquema de Cachoeira, a Delta Construções, que teria José Dirceu como um de seus “consultores” recebeu do governo federal R$ 4,1 bilhões desde 2007.

Naquele ano, a empreiteira recebeu R$ 572 milhões.

No ano seguinte, R$ 706 milhões.

Em 2009, faturou R$ 938 milhões.

Tem mais...

Em 2010, último ano do governo Lula, a empreiteira recebeu R$ 825 milhões.

Já no primeiro ano com Dilma à frente do Executivo, R$ R$ 875 milhões.

O negócio é de descobrir o quanto de comissão valeram tantos negócios valiosos...

Milagres acontecem!

A Delta escapou, milagrosamente, do corte de R$ 55 bilhões anunciado pelo governo no início do ano.

Mesmo com o contingenciamento de verbas, R$ 200 milhões reservados para a empreiteira foram integralmente empenhados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestres (Dnit).

Só neste ano de 2012, a construtora já recebeu R$ 218 milhões, e teria mais R$ 6 bilhões já empenhados para futuros pagamentos...

Efeitos especiais

O governo do Estado do Rio de Janeiro publicou ontem no Diário Oficial que os contratos da empreiteira Delta serão alvo de análise do grupo responsável por examinar suspeitas de irregularidades em licitações públicas.

O grupo de Cabral terá imensas dificuldades para explicar como a Delta é sempre contemplada pelo Governo Cabral com milionárias obras sem concorrência.

Desde 2002, a empresa tem contratos de R$ 450 milhões com o Estado do RJ.

Por enquanto, o grande cagaço é que algum problema com a Delta afete as obras de conclusão do Estádio do Maracanã para a Copa de 2014

O Direito de Mentir

O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) alegou ontem que a CPI do Cachoeira não traz preocupação ao Palácio do Planalto.

Carvalho faz o discurso de que a CPI é um assunto "restrito ao Legislativo" e que o governo não tem de interferir.

Nesse ritmo, o amigão do falecido Celso Daniel acaba contratado para melhorar a audiência do Casseta & Planeta que anda perdendo em audiência...

Poesia para quem precisa de Justiça

O novo presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, ministro Carlos Ayres Britto, aquele que jurou ter deixado a militância do PT para ser militante da Constituição, tomou posse ontem dando um show de poesia:

“O compromisso de posse do juiz é uma jura de amor. O magistrado tem a função de julgar indivíduos, seus semelhantes, grupos sociais”.

“Sem afetividade não há efetividade”.

“A única questão fechada deve ser a abertura para o novo”.

“O Judiciário é a luz no fim do túnel das nossas mais acirradas confrontações. É um Poder que não pode jamais perder a confiança da coletividade, sob pena de esgarçar o próprio tecido da coesão nacional”.

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