Pular para o conteúdo principal

A destruição do idioma e seus propósitos (não tão) ocultos

O objetivo da Novilíngua não é apenas oferecer um meio de expressão para a cosmovisão e para os hábitos mentais dos devotos do IngSoc, mas também impossibilitar outras formas de pensamento. Tão logo for adotada definitivamente e a Anticlíngua esquecida, qualquer pensamento herético será literalmente impossível, até o limite em que o pensamento depende das palavras. Quando esta for substituída de uma vez por todas, o último vínculo com o passado será eliminado.
George Orwell, 1984
O mais importante sucesso de uma revolução ocorrerá quando uma nova filosofia de vida for ensinada para todos e, se necessário, mais tarde forçada sobre eles. (...) A principal tarefa da propaganda é ganhar o povo para a nova organização. A segunda é a ruptura do estado de coisas existente permeando-o com a nova doutrina.
Adolf Hitler, Mein Kampf
No último artigo para o Jornal Inconfidência iniciei uma nova série denominada A Quarta Fronteira e abordei primeiramente a fronteira lingüística, continuada aqui. Existem vários caminhos para a destruição revolucionária de um idioma com o objetivo de romper o estado de coisas existente.

A substituição da norma culta por um linguajar popular, sem "preconceitos", como demonstrei naquele artigo, a diabólica imposição forçada do politicamente correto e, derivada desta, a censura a autores renomados da literatura nacional, como se está fazendo com Monteiro Lobato, alegadamente racista - como pelo mesmo motivo as novas edições de Huckleberry Finn, de Mark Twain retiraram as palavras nigger e injun (consideradas hoje ofensivas aos negros a aos índios), que na época nada tinham de racista, por slave. Como observa Jamelle Bouie, no The Atlantic, apagando nigger do Huckleberry Finn "não muda nada. Não cria esclarecimento racial nem nos livra do legado da escravidão e da discriminação racial. Tudo o que consegue é criar nos americanos a aversão à história e à reflexão histórica".
O mesmo certamente acontecerá com a censura às passagens carinhosas escritas por Lobato em relação à Tia Anastácia - 'a melhor quituteira do mundo' - que vendo a onça chegar perto, "tal como um macaco trepou rapidamente numa árvore para se salvar". Segundo o politicamente correto isto é inaceitável porque compararia todos os negros com macacos, e não que a palavra macaco possa ter sido empregada para expressar a agilidade de subir agilmente em árvores!
O Professor Evanildo Bechara[1] aborda corretamente a estreita ligação dos "preconceitos lingüísticos" e a imposição do "politicamente correto" e acrescenta: "Esta questão do 'preconceito lingüístico' foi algo que os sociolinguistas trouxeram à discussão para estabelecer na sociedade quem manda mais e quem pode menos. No entanto este preconceito não tem mão única. Ele surge tanto da pessoa que fala a norma culta em relação à norma popular, como daquele que fala a norma popular em relação à norma culta. Porque o preconceito resulta da diferença e esta não é só do mais para o menos, mas também do menos para o mais". E relaciona diretamente com o politicamente correto: "hoje não se pode dizer o preto ou o negro. Porém o negro diz do branco: 'o branco azedo'".

Pode-se notar claramente que apenas uma das mãos é interditada, a outra não, não só é aceita como até mesmo estimulada. É exatamente aí que os críticos do politicamente correto se enganam: a aparente eliminação dos "preconceitos", sejam raciais, sejam de linguagem, não passa de uma mensagem sedutora para encobrir o desígnio revolucionário de criar uma Novilíngua para destruir a cultura, como alto conceito de saber, cujo aprendizado só pode ser adquirido com grande esforço, suor e lágrimas.

William Lind se refere ao politicamente correto como "AIDS intelectual" [2]:

"Tudo que ela toca adoece e finalmente morre". Os politicamente corretos não querem que ninguém saiba uma verdade: "Politicamente correto não é nada mais do que marxismo traduzido do econômico para o cultural. (...) Enquanto o marxismo clássico prega que a história é determinada pela propriedade dos meios de produção, o cultural diz que a história é explicável pela identificação de quais grupos - definidos por sexo, raça, normalidade ou anormalidade sexual - têm poder sobre os outros grupos". 

O marxismo cultural, imperante na deseducação desde 1994 com a gestão de Paulo Renato Souza no Ministério da Educação[3], considera que a revolução deve "expropriar" os homens brancos, heterossexuais e cultos deste poder, concedendo-o às "minorias" - homossexuais, feministas, negros, índios, quilombolas. Mulheres não feministas ou negros e índios que não aceitam esta ideologia são rejeitados como submissões aberrantes.

Se você quer ler o texto completo, copie e cole o link

http://www.midiasemmascara.org/artigos/movimento-revolucionario/12139-a-destruicao-do-idioma-e-seus-propositos-nao-tao-ocultos.html


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A CAPACIDADE CIVIL ALTERADA PELA LEI 13.146/15

O artigo 114, da Lei 13146/15, publicada no dia 7 de julho, revoga algumas causas de incapacidade civil, que eram previstas no artigo 3º, do Código Civil, e entrará em vigor 180 dias após a sua publicação.
Estes incisos consideravam como incapazes os  que, por enfermidade ou deficiência mental, não tinham o necessário discernimento para a prática de atos jurídicos, mesmo por causa transitória, e não podiam exprimir sua vontade.
Toda norma que estabelece a capacidade civil é criada com fundamento em critério biológico ou psicológico, quer dizer, idade e capacidade mental, questão de ‘política’ social convertida em norma jurídica, quer dizer, o legislador considera uma circunstância social e legisla.
Mas uma vez que certo critério social já revela que a sociedade já não considera certas pessoas em determinadas condições como incapazes, o legislador cumpre seu papel de adequar as normas (ou cria a norma para adequar a sociedade?).
A capacidade, que é elemento da personalidade, é a “medida j…

Militar é incompetente demais!!! Militares, nunca mais!

Conforme pedido do autor do texto, retifico a autoria do mesmo. Logo abaixo do texto deixo o e-mail solicitando a retificação e reivindicando a autoria. Ainda assim, vale a pena ler o escrito.
Militar é incompetente demais!!! Militares, nunca mais!
Anselmo Cordeiro (Net 7 Mares)

Ainda bem que hoje tudo é diferente, temos um PT sério,
honesto e progressista.
Cresce o grupo que não quer mais ver militares no poder,
pelas razões abaixo.

Militar no poder, nunca mais.
Só fizeram lambanças.
Tiraram o cenário bucólico que havia na Via Dutra de uma só pista,
que foi duplicada e recebeu melhorias;
acabaram aí com as emoções das curvas mal construídas e os solavancos estimulantes provocados pelos buracos na pista.

Não satisfeitos, fizeram o mesmo com a rodovia Rio-Juiz de Fora.

Com a construção da ponte Rio-Niterói, acabaram com o sonho de crescimento da pequena Magé, cidade nos fundos da Baía de Guanabara, que era caminho obrigatório dos que iam de um lado ao outro e não quer…

A LINGUAGEM QUE CORRÓI COMO CANCER

EXMO"Procura apresentar-te diante de Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.
Mas evita as conversas vãs e profanas; porque os que delas usam passarão a impiedade ainda maior, e as suas palavras alastrarão como gangrena; entre os quais estão Himeneu e Fileto, que se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição é já passada, e assim pervertem a fé a alguns.

Todavia o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os seus, e: Aparte-se da injustiça todo aquele que profere o nome do Senhor.

Escrevendo a Timóteo pela segunda vez, Paulo deixa claro que a língua é instrumento mortal.

Tiago ficou célebre entre nós pelo seu magnífico texto sobre o poder infernal e corrosivo da língua—neste site a epístola de Tiago tem sua re-leitura feita, procure—, mas quase nunca se dá atenção ao que Paulo falou à respeito da linguagem e da língua.

Ele diz que a língua tem o poder de subvert…