quarta-feira, 1 de julho de 2009

A Política, Eu, Você e o Mar


Impossível passarem despercebidas algumas notícias de nossa terra (e mesmo fechando os olhos, ainda temos ouvidos e nariz e demais sentidos). É verdadeira a palavra de que se conhecem as árvores pelos seus frutos. Assim, deixo uma poesia. Uma reflexão. E o mar? Esse mistério deixo pra você descobrir.

OUTEIRO DEVASSO *

Satisfaz minh’alma louca grei
Donde risonho estribo a cela
Aos meus desejos lascivos tornei
Faz-me palmilhar na calvície dela

Quem diz do prazer o mal, desconhece;
Quão hipócrita é seu falar.
Ainda que dele ao mundo viesse
A rapínea ave tenta volar

Requestes lascivos venham a mim
Delícias, volúpias, se nos requer.
Vós outros que buscais o bom fim,
Da mais alta cúria, quem não as quer?

Vaga vulva d’alma dos rufiões
Rubra a face “pura” que a vê
É dela que se fazem as canções
Sonhos dos “puros” ficam à mercê.

Sob fomento ganja a donzela
Quando o ruão ao encontro vai
Dorido deleite entre as pernas
Himeneu falso que vos atrai.

Impreca a velha tal atitude
Que réproba tenta sempre mostrar
Esquece máleas da juventude
Qual sempre costumava orgasmar.

Na abadia se ouve gemer
Mas não pense seja penitência.
Túnicas servem para esconder
A Luxúria de sua aparência.

Na casa a esposa é prendada
Enquanto o marido está perto
Sai o pobre guampa de sua casa
E o leito ela macula de certo.

Encontrou descanso só desse jeito
Da vida a mulher jaz sob o chão
O coveiro vendo, todo afoito
Tomou seu corpo dentro do caixão.

Triscado o pai chega em sua casa;
A pura donzela dorme tranqüila.
Conduzido pela branca cachaça
Com coragem incesta a sua filha

O vil magistrado já não atende
De tanto vender-se por ninharia
Com seu dinheiro está contente
Já não quer saber da dor de quem mirra.

Não se pode negar o Timoneiro
Da lascívia dessa louca progênie.
Timoneiro: outeiro devasso
Que singra por almas que não têm cerne.

* Por Elvis Rossi da Silva

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